• Thaís M. Stenico

#Setembro Amarelo e meus livros


Há algum tempo, não sei ao certo, fui diagnosticada com TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada). No início, senti muita culpa e vergonha por estar doente, era difícil falar sobre isso, e mesmo aqueles que convivem comigo - que poderiam agravar meu quadro - só souberam disso há poucos meses, quando já me aproximo da "alta".

Mas estamos findando o mês de setembro (um período colorido de amarelo, chamando atenção para o suicídio, muitas vezes consequência de transtornos mentais como o meu), e me sinto obrigada a contar aqui sobre como foi difícil passar sozinha por tudo, mesmo sabendo que havia pessoas com que eu realmente poderia contar, como vivo e supero - dia após dia - o TAG, e quem sabe possa ajudar você que vive esse pesadelo, ou convive com alguém que precise de ajuda.

Eu passei algum tempo apenas percebendo e sofrendo com os sintomas, me recusava a pesquisar e procurar auxílio apenas pelo medo do diagnóstico. Em nossa sociedade, psiquiatria ainda tem muito a ver com pessoas loucas e descontroladas, assim como a ansiedade é vista como "frescura", "preguiça", "falta de paciência e vergonha na cara", "você quer tudo do seu jeito", e em nossas casas, em nossas famílias - onde deveríamos nos sentir amados e confortados - é onde tudo tende a piorar, pois precisamos ser os melhores filhos, melhores amigos, melhores estudantes e profissionais, melhores namorados, melhores pessoas... parece que nossas falhas nos diminuem e nos "tiram" o amor dos que mais amamos, e fica cada vez mais difícil se abrir. Enfim, cheguei num ponto onde a ansiedade realmente quase me matou, eu estava paralisada, sem vontade ou felicidade, ao mesmo tempo em que me enchia de compromissos que nunca iria assumir, e isso me frustrava cada vez mais... eu precisava fazer uma escolha, e optei por mim! Finalmente orientada e medicada por um psiquiatra que, mais que médico, era também um amigo, percebi que lidar com transtornos mentais não precisa ser um bicho de sete cabeças, comecei mudando meus hábitos e melhorando a qualidade de vida, com atividades físicas, ar livre e prestando atenção à alimentação (isso não aconteceu do dia pra noite, falhei em muitas tentativas e ainda estou engatinhando, tentando criar uma rotina que vire hábito).

Depois, estou aprendendo a dizer NÃO. Tenho evitado pessoas, coisas e lugares que não me fazem feliz, não preciso aceitar tudo e todos pra agradar, se isso antes não ME agradar, preciso fazer e estar primeiro com aquilo e aqueles que amo.

Uma vez me livrando de tudo o que me prendia (eu sentia como se fosse uma corrente invisível, uma coisa pesada que me impedia de prosseguir e fazer o que deveria ser feito), passei a ter tempo para mim, para as coisas que me fazem bem, e o primeiro passo foi voltar a escrever, como há muito tempo não fazia, e cada linha era uma conquista, uma lágrima de felicidade, a escrita se tornou pra mim o tratamento mais eficaz, e quando - após anos tentando e parando - recomecei e consegui finalmente publicar AJNA, fui tomada por um sentimento maior que um sonho realizado ou dever cumprido, era uma liberdade sem precedentes, aquelas correntes haviam ficado pra traz e eu me sentia forte o bastante pra seguir em frente.

Por isso eu digo que SIM! Valeu a pena! As doenças psiquiátricas são consequências das pressões, arrependimentos, frustrações, cobranças e traumas, fardos que carregamos e ficam cada dia mais pesados, mas existe luz no fim do túnel, e conversar sobre isso é essencial para alcanças a paz de espírito e a felicidade. Todos têm problemas, e precisamos (com ou sem ajuda) aprender a lidar com eles e deixá-los no caminho, bem triturados, para que nunca mais voltem, e esse aprendizado é necessário, pois pequenos problemas - quando alimentados e protegidos - se tornam monstros e correntes que nos impedem de chegar a qualquer lugar. Por você e pelos seus sonhos, VIVA E FIQUE FORTE!

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